Quem acompanha a terceira temporada da série The White Lotus, cuja estreia aconteceu no último dia 16 de fevereiro, deve ter percebido algumas mudanças significativas. Não apenas por conta do roteiro, que agora transportou os personagens principais para uma viagem paradisíaca em Bankok, na Tailândia.
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O que tem gerado comentários é o fato de que a personagem Laurie, interpretada pela atriz Carrie Coon, teve uma cena crucial cortada da história. Na tal cena suprimida, Laurie apresentava certa dificuldade para conversar com amigos sobre seu filho não binário, possivelmente transgênero, especialmente na forma correta de usar os pronomes.
Criador da série corta cena LGBT, mas a culpa é do Trump
De acordo com informação divulgada pela HBO, responsável pela plataforma streaming Max que exibe a série, o fato se deu principalmente devido ao clima político vigente depois da reeleição de Donald Trump, em 2024. A remoção da cena ocorreu ainda durante a pós-produção e foi uma opção do próprio criador da série, Mike White, por considerar que o tema era complexo demais para ser abordado de forma breve.
De acordo com Mike White, as tensões culturais foram intensificadas pela administração de Trump, sobretudo em relação aos direitos das pessoas transgênero e LGBT. Por isso, White expressou preocupação em não alimentar uma “guerra cultural” que tem sido usada contra a comunidade trans.
Mesmo que tenha havido o corte da cena em questão, a terceira temporada de The White Lotus não deixou de explorar temas como identidade de gênero e sexualidade. Como nesses novos episódios a narrativa é ambientada na Tailândia, o roteiro inclui referências à cultura “kathoey” tailandesa — um termo que se refere à expressão de gênero e discute a exploração de pessoas transfemininas por homens cisgênero.
Mais do que a política de Donald Trump, a decisão de cortar a cena em The White Lotus também pode refletir uma tendência de mudança em Hollywood. Hoje há mais cautela ao abordar temas sensíveis, que para muitos se denominam apenas woke, em um ambiente político polarizado.
É sabido que nos últimos meses um grande número de empresas têm enfrentado desafios e até mesmo prejuízos ao insistir nas políticas de representatividade. Muitas dessas empresas, aliás, já anunciaram publicamente que encerraram investimentos em áreas ligadas à diversidade. A HBO provavelmente deve estar repensando suas opções.
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