Em uma extensa reportagem publicada nesta quinta-feira, 3, a agência internacional Associated Press critica o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e destaca a queda acentuada de sua popularidade.
A matéria se baseia em dados de pesquisas, análises de especialistas e depoimentos de brasileiros comuns. De acordo com o texto, o aumento da inflação e a piora na segurança pública são os principais fatores para sua impopularidade.
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A reportagem evidencia que o petista enfrenta o pior cenário de todos os seus mandatos. O índice de aprovação de Lula caiu para 24%, segundo a pesquisa Datafolha de fevereiro de 2025. Para fins de comparação, o índice anterior mais baixo havia sido 28% em 2005, durante a crise do mensalão.
O número atual representa uma situação calamitosa, especialmente se comparado aos índices que marcaram sua volta ao poder em 2023, quando venceu as eleições presidenciais daquele ano.
Inflação e segurança pública são o calcanhar de Aquiles de Lula
A matéria demonstra que, apesar de indicadores positivos como crescimento econômico e queda do desemprego, há um fator que pesa diretamente na vida das pessoas e mina a popularidade presidencial: o custo de vida, sobretudo o preço dos alimentos.
“Os alimentos e as bebidas eram quase 8% mais caros em 2024 em comparação com o ano anterior”, destaca a reportagem, ao citar dados do IBGE. A economista Carla Beni, da Fundação Getúlio Vargas, reforça que “a inflação dos alimentos tem um impacto direto na vida das pessoas” e ressalta que produtos como a carne tiveram aumento expressivo.
Esse tipo de inflação afeta de forma mais intensa os mais pobres, justamente o grupo que historicamente mais apoia o PT. A AP ressalta os dados da Genial/Quaest que demonstram um forte crescimento da desaprovação entre mulheres, negros e moradores da região Nordeste. O número de pessoas que desaprovam Lula no Nordeste saltou de 26% para 46% em apenas seis meses.
A reportagem também dedica um bloco importante à questão da violência e da criminalidade, outro fator que tem contribuído para a insatisfação. “Não só tudo está caro, como também vivemos num país perigoso”, diz Anderson Vianna, morador da zona norte do Rio de Janeiro.

Dados da Datafolha revelam que quase um em cada dez brasileiros teve o celular roubado entre julho de 2023 e junho de 2024, e o tema da segurança é, atualmente, o primeiro lugar entre as preocupações da população, segundo o Instituto Ipsos.
A reportagem menciona também o episódio simbólico que viralizou recentemente: o roubo de um celular filmado ao vivo durante o festival Lollapalooza, episódio que gerou grande repercussão nas redes sociais e reforçou o sentimento de vulnerabilidade social.
@alexiaferreira.trips ME AJUDEM COMPARTILHANDO ESSE VÍDEO PRA MAIS PESSOAS VEREM A CARA DOS ENVOLVIDOS!!! #Lollapalooza @Lollapalooza Brasil ♬ som original – Alexia Ferreira
Governo aposta em medicas ineficazes
Para conter o descontentamento, o governo federal adotou medidas pontuais. Em março, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou a redução a zero do imposto de importação para produtos como carne e café.
Além disso, foi enviado ao Congresso um projeto de lei que propõe isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, valor mais que o dobro do teto atual de R$ 2,3 mil. A matéria pondera, contudo, que os efeitos dessas ações ainda não se refletiram em melhora na aprovação.
No campo da segurança pública, Lula adotou um discurso mais duro. Em março, declarou que não vai permitir que “bandidos tomem conta” do Brasil. Além disso, o Ministério da Justiça anunciou um projeto para aumentar a pena máxima por receptação e uso de celulares roubados de oito para até 12 anos.
Outro ponto abordado pela reportagem é o déficit de comunicação do governo. João Feres, cientista político da Uerj, afirmou que Lula tem diversas políticas públicas ativas, mas que “o problema é comunicar os resultados dessas políticas”.
Essa fragilidade comunicacional ficou evidente no episódio do Pix. Em janeiro, o governo anunciou que faria uma supervisão mais rigorosa sobre transações financeiras. A reação pública foi tão negativa que o governo recuou. O economista Paulo Feldmann, da USP, afirmou que “esse foi o primeiro ponto que realmente prejudicou a imagem de Lula”.
Por fim, a AP contextualiza esse momento com o futuro político de Lula, que completa 79 anos este ano e ainda não decidiu se será candidato em 2026. Com o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível até 2030, o cenário eleitoral se torna ainda mais imprevisível. “Precisamos de renovação”, encerra Vianna.
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