O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que planeja criar um novo visto para atrair estrangeiros ricos para o país: o gold card (cartão dourado). O valor previsto é de US$ 5 milhões, cerca de R$ 28,9 milhões na cotação atual.
Por este valor, os interessados poderão solicitar a residência permanente nos EUA. Segundo Trump, o programa seria lançado em duas semanas, atrairia pessoas de alto nível e ajudaria a reduzir o déficit do país.
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Trump mencionou a ideia durante um evento na Casa Branca na última terça-feira, 25, e a detalhou em uma reunião de gabinete nesta quarta-feira, 26. “Será um caminho para a cidadania, e pessoas ricas poderão entrar no país comprando esse cartão”, disse. “Elas terão sucesso, gastarão muito dinheiro e pagarão muitos impostos.”
Ele também sugeriu que empresas poderiam usar o gold card para reter seus talentos. “Empresas querem contratar os melhores alunos das universidades, mas eles vêm de países como Índia, China e Japão”, explicou. “Eles estudam em Harvard, Wharton, Yale, se formam no topo da turma e recebem ofertas de emprego, mas recusam porque não se sabe se poderão permanecer no país.”
O secretário de Comércio de Trump, Howard Lutnick, disse que o programa substituiria o visto de investidor EB-5. Atualmente, o EB-5 concede residência a estrangeiros que investem pelo menos US$ 1,05 milhão em um novo negócio que gere empregos — ou US$ 800 mil em áreas rurais, regiões de alto desemprego ou projetos de infraestrutura.
Lutnick criticou o EB-5, sob a alegação de que o programa está cheio de “fraudes e enganações”. Ele garantiu que os candidatos ao gold card passariam por uma rigorosa triagem. Perguntado se oligarcas russos poderiam solicitar o visto, Trump respondeu, em tom de brincadeira, que conhece “alguns oligarcas russos que são pessoas muito boas”.
Trump defende vistos para trabalhadores
No final de dezembro de 2024, Trump defendeu a concessão de vistos H1-B, que permitem a contratação de trabalhadores estrangeiros qualificados, especialmente no setor tecnológico. Sua posição se alinha à do empresário Elon Musk, seu conselheiro, que defende a importância desses vistos para a inovação no país.
Em entrevista ao jornal norte-americano New York Post, Trump afirmou que gosta do programa de vistos H1-B. “Sempre fui a favor dos vistos, e é por isso que os temos”, disse. Os vistos H1-B são utilizados por empresas no Vale do Silício para recrutar talentos globais com habilidades específicas.
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Enquanto executivos de tecnologia veem os vistos como essenciais para a competitividade norte-americana, alguns apoiadores do republicano se preocupam com os riscos dessa política para a agenda “America First”.
A nomeação do investidor indiano Sriram Krishnan como conselheiro de política para inteligência artificial na Casa Branca intensificou o debate. Krishnan apoia a remoção de limites por país para green cards, o que, segundo ele, poderia “desbloquear a imigração qualificada”.
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Musk, que já se beneficiou do visto H1-B, defendeu seu uso. “A razão pela qual estou nos Estados Unidos, assim como aqueles que construíram a SpaceX, Tesla e centenas de outras empresas, é o H1-B”, afirmou o dono do X. “A questão é: você quer que a América vença ou quer que a América perca?”
Vivek Ramaswamy, nomeado por Trump para cortar gastos governamentais, também enfatizou a necessidade de migração qualificada. Ele disse que a cultura de “mediocridade sobre excelência” poderia comprometer o desenvolvimento econômico do país.
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