Em decisão da suspensão do Rumble, Moraes cita apenas caso do X

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou a suspensão da plataforma Rumble no Brasil, sob a alegação de desrespeito à soberania de vários países. No entanto, no documento, ele cita apenas um caso específico, na Austrália, relacionado à plataforma X.

Moraes justificou a decisão com base no descumprimento de ordens judiciais pelo Rumble em outras nações. Dessa forma, a fundamentação principal da ordem do ministro não traz exemplos da conduta da rede social em outros países.

Depois de mencionar legislações vigentes na União Europeia, sem propriamente um descumprimento do Rumble, Moraes escreve que, na Austrália, “conforme noticiado, também há investigação em andamento por a referida plataforma não contribuir com as autoridades competentes para investigação sobre praticas de abuso infantil”.

“Tais circunstâncias comprovam o desprezo à Justiça e a falta total de cooperação da plataforma Rumble Inc com os órgãos judiciais e corroboram sua reiterada conduta em desrespeitar a soberania de diversos países, não sendo circunstância que se verifica exclusivamente no Brasil”, decide o ministro.

O link incorporado antes desse trecho, no entanto, mostra uma informação referente à uma multa que a Austrália aplicou na plataforma X, de Elon Musk, e não no Rumble. Nem antes e nem depois desse exemplo, o documento não traz mais casos de desobediência da plataforma de vídeos em outros países.

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Em resposta, a plataforma e a empresa de mídia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, moveram uma ação judicial contra Moraes em um tribunal federal do país.

Moraes suspende plataforma popular na direita

Alexandre de Moraes determinou a suspensão do serviço porque a Rumble não nomeou um representante legal no Brasil no prazo de 48 horas | Foto: Reprodução/X/@ChrisPavlovski
Alexandre de Moraes determinou a suspensão do serviço porque a Rumble não nomeou um representante legal em 48 horas | Foto: Reprodução/X/@ChrisPavlovski

Popular entre influenciadores de direita, a plataforma Rumble se apresenta como alternativa ao YouTube, com menor moderação de conteúdo. O CEO Chris Pavlovski desafiou publicamente a decisão de Moraes. Ele recusou-se a cumprir o que chamou de “ordens ilegais” e intensificou a discordância com o STF.

Depois da ordem de bloqueio do perfil do influenciador Allan dos Santos no Rumble, a medida gerou debate diplomático. O governo dos EUA criticou a decisão do STF, a qual considera “contrária aos valores democráticos”. Em resposta, o Itamaraty acusou a gestão Trump de deturpar as ordens de Moraes.

Leia também: “Alexandre de Moraes no banco dos réus”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 257 da Revista Oeste

Por sua vez, Moraes reiterou a soberania do Brasil. Ele afirmou que o país não é colônia desde 1822 e destacou a importância do respeito às decisões judiciais brasileiras. A situação continua a se desenrolar nos âmbitos jurídico e diplomático.

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