Deltan Dallagnol: ‘Quem é o ministro mais suspeito para julgar Bolsonaro?’

Em um vídeo, o ex-procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, relembrou o histórico dos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, que compõem a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Por unanimidade, a 1ª Turma tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados réus por uma suposta tentativa de golpe de Estado.

A defesa de Bolsonaro solicitou a suspeição dos ministros, alegando falta de isenção no julgamento. No entanto, o tribunal rejeitou o pedido, o que alimentou ainda mais as críticas à condução do caso.

Zanin, Dino e Moraes têm conexões explícitas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal adversário político de Bolsonaro.

As relações entre os ministros e Lula

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O recém-empossado ministro do STF Cristiano Zanin e o presidente Lula, em cerimônia na Corte – 03/08/2023 | Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Cristiano Zanin, antes de entrar no STF, foi advogado de Lula e peça-chave na anulação de suas condenações, facilitando seu retorno político. No passado, também moveu uma notícia-crime contra Bolsonaro.

Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula, é alvo de polêmicas por sua atuação nos eventos de 8 de janeiro. Ele chefiou a Polícia Federal, responsável por investigar Bolsonaro, e já fez declarações fortes contra o ex-presidente, o que põe em xeque sua neutralidade.

Já Alexandre de Moraes, teve embates diretos com Bolsonaro e teve papel central nas eleições de 2022. Relatos indicam que participou de reuniões privadas com Lula, e seu posicionamento contra o ex-presidente gera questionamentos sobre sua isenção no julgamento.

Na visão de Deltan, considerando o histórico dos ministros citados, não há chances de Bolsonaro ser julgado com neutralidade.

“É esse o trio de suspeitos que vai julgar o Bolsonaro. Isso junto com outros dois ministros reindicados pelo PT”, afirmou. “Como que três juízes tão próximos de Lula podem ser imparciais ao julgar o seu maior adversário? Como ter um julgamento justo quando os próprios ministros têm histórico de disputa política, de inimizade, de brigas na justiça com réu?”

Em outro vídeo, o ex-procurador da Lava Jato expôs publicações ofensivas de Flávio Dino contra Bolsonaro. As críticas foram publicadas entre 2014, depois de Dino ser eleito governador do Maranhão, pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e 2022, quando era ministro da Justiça do governo Lula. 

Ação contra Bolsonaro é 14 vezes mais rápida que Mensalão

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, tem conduzido com velocidade incomum o julgamento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas, da qual é relator.

Elas são acusadas de integrar a chamada “trama golpista” de 2022, um suposto plano para articular um golpe de Estado depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais daquele ano.

A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 18 de fevereiro de 2025, foi analisada pela 1ª Turma do Supremo na última terça-feira, 25 – apenas 35 dias depois de sua formalização. Essa celeridade é 14 vezes superior ao ritmo do julgamento do escândalo do Mensalão, um dos casos mais emblemáticos da história do tribunal.

A pressa no andamento do processo não é casual. O STF busca garantir que o julgamento do mérito ocorra ainda em 2025, a fim de evitar que o caso se arraste até 2026, ano de eleições federais. Moraes teme que a proximidade das eleições possa influenciar politicamente o desfecho do caso ou seja explorada por apoiadores de Bolsonaro.

A condução veloz do caso não é uma novidade na atuação de Alexandre de Moraes, conhecido por imprimir rapidez em processos de grande repercussão, especialmente aqueles ligados a Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

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