O presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tiveram um duríssimo confronto verbal no Salão Oval da Casa Branca nesta sexta-feira, 28, sob os olhares e as câmaras de dezenas de jornalistas presentes.
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O bate-boca começou quando o líder ucraniano pediu aos Estados Unidos que não confiassem no presidente russo Vladimir Putin. Trump respondeu que Kiev precisava aceitar que tinha uma posição fraca na negociação.
O presidente ucraniano buscou a reunião para tentar obter apoio dos EUA contra a agressão russa, oferecendo em troca a assinatura de um acordo para a concessão da exploração de terras raras e minerais ucranianos.
Todavia, depois de meia hora de uma discussão que se manteve respeitosa, o tom ficou tenso. Com a presença de jornalistas na sala, desentendimentos que normalmente ocorrem a portas fechadas se tornaram públicos.
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Zelensky tentou explicar ao vice-presidente J.D. Vance que a Ucrânia havia assinado uma série de acordos com a Rússia que Moscou posteriormente quebrou.
Vance, e mais tarde Trump, disseram que Zelensky não foi suficientemente grato pela assistência que seus militares receberam dos EUA.
“Se você não tivesse nosso equipamento militar”, disse Trump, “a Ucrânia teria perdido a guerra em semanas”.
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“Você tem que ser grato”, acrescentou o presidente, acusando o líder ucraniano de estar “apostando com a Terceira Guerra Mundial”.
Zelensky respondeu que ele tem sido grato ao povo americano, sendo interrompido várias vezes por Trump e por Vance.
Zelensky pediu para Trump uma garantia de segurança contra Putin
Zelensky lembrou que seus compatriotas estão morrendo e que qualquer acordo deve conter garantias sobre a segurança de Kiev.
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“Eu não quero um acordo, Putin é um killer”, disse o presidente ucraniano.
Zelensky disse que a Ucrânia ainda é capaz de se defender e resistir à Rússia, enquanto Vance respondeu que seu país tem muitos problemas.
O vice-presidente dos EUA criticou o presidente ucraniano dizendo ser “desrespeitoso” ir ao Salão Oval e discutir na frente da mídia americana. Vance então lembrou que Zelensky tinha ido à Pensilvânia para fazer campanha pela oposição, referindo-se à sua parada de campanha na Pensilvânia para visitar uma fábrica de armas.
O presidente americano forneceu um quadro terrível da situação militar da Ucrânia. “Vocês estão ficando sem soldados”, disse Trump, “Vocês não estão em uma boa posição… vocês não têm as cartas”.
Trump disse para Zelensky que ele não pode dizer para Washington “eu quero isso, eu quero aquilo”. Em resposta, o presidente ucraniano disse que não veio aos Estados Unidos “para jogar cartas”.
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Trump ameaçou Zelensky durante o confronto no Salão Oval: “Ou você faz um acordo ou estamos fora!”.
Trump e Vance irritados com os pedidos de Zelensky
Zelensky pediu a Trump e Vance que visitassem a Ucrânia. Vance classificou viagens de líderes estrangeiros para o país da Europa Oriental como mera propaganda.
“Você já esteve na Ucrânia?”, disse Zelensky ao vice-presidente Vance em um dos momentos mais acalorados da discussão.
Mas a frase que mais irritou Trump foi quando o presidente ucraniano o lembrou que “os Estados Unidos também sentirão as consequências da guerra”.
“Não nos diga o que sentiremos, você não está em posição de dizer o que sentiremos”, respondeu o presidente.
A sessão ocorreu logo após Zelensky chegar à Casa Branca. Trump levou repórteres ao Salão Oval para o que normalmente é uma breve saudação.
Além de Trump e Vance, participaram do encontro o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth.
O confronto durou vinte minutos, e no auge do bate-boca representantes da mídia foram retirados do Salão Oval. O encontro presencial entre os dois presidentes continua à portas fechadas.
Depois que Zelensky se recusou a assinar uma versão anterior de um acordo de direitos minerais, Trump o chamou de “ditador sem eleições” e acusou a Ucrânia de começar a guerra, que começou quando as forças russas lançaram uma invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Mais preocupante para Zelensky, os EUA começaram negociações com a Rússia sem incluir a Ucrânia.
Trump disse querer “ser lembrado como um pacificador” que “fez tudo isso para salvar vidas antes de tudo”, mas também “para economizar muito dinheiro”.
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“Esta é uma situação perigosa que pode levar a uma Terceira Guerra Mundial, e estava indo na direção errada antes de eu ser eleito”, disse Trump. “Se não tivéssemos vencido, teria havido uma Terceira Guerra Mundial”.
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