A relação entre Tarcísio de Freitas e o Supremo Tribunal Federal (STF) azedou. O governador de São Paulo, antes visto com simpatia nos bastidores da Corte, já não desfruta do mesmo prestígio. Até Alexandre de Moraes, com quem mantinha conversas frequentes, reduziu o contato. Em reuniões reservadas, Tarcísio passou a criticar abertamente decisões do tribunal, conforme informou o jornal O Globo.
O estopim veio em 25 de fevereiro. Durante o ato liderado por Jair Bolsonaro em Copacabana, o governador subiu no trio e defendeu a anistia aos réus do 8 de Janeiro. Chamou os condenados de “inocentes” e acusou o Judiciário de aplicar penas desproporcionais.
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O discurso surpreendeu. Tarcísio comparou os presos de 8 de janeiro a criminosos reincidentes soltos no país. Citou a volta de políticos investigados à cena pública. E concluiu: anistiar os réus do 8 de Janeiro seria uma reparação justa.
“O que eles fizeram?”, questionou Tarcísio. “Usaram batom? Num país onde todo dia a gente assiste traficantes indo para a rua, onde os caras que assaltaram o Brasil, que assaltaram a Petrobras, voltaram para a cena do crime, para a política, foram reabilitados. Está certo isso? Parece haver justiça nisso? Então é correto que a gente garanta a anistia para aqueles inocentes que nada fizeram. Vamos lutar e garantir que esse projeto seja pautado e aprovado.”
A fala caiu mal entre os ministros do STF
A fala caiu mal entre os ministros. O tom confrontador pegou de surpresa até aliados. Moraes, principal relator dos processos sobre os atos de 8 de janeiro, considerou a declaração de Tarcísio uma provocação. Para integrantes da Corte, o governador tenta manter uma imagem de equilíbrio, mas tem cedido aos aliados de Bolsonaro.
Em abril, Tarcísio já confirmou presença em novo evento com Bolsonaro. A pauta, mais uma vez, será a anistia aos envolvidos nos ataques às instituições. O gesto reforça sua guinada à direita e acentua o desgaste com o Supremo.
A tensão não é nova. Em 2023, Moraes determinou o bloqueio da rede social X por descumprimento de ordens judiciais. Tarcísio interveio. Sugeriu, informalmente, uma solução alternativa. Foi ignorado. A proposta nem chegou a ser considerada.
O esfriamento da relação ganhou novos contornos meses depois. Em setembro, Moraes ofereceu um jantar depois da homenagem feita ao governador pelo Ministério Público paulista. Tarcísio recusou o convite. Desde então, o distanciamento virou silêncio.
Hoje, ministros do STF veem Tarcísio com desconfiança. Avaliam que ele tenta agradar aliados de Bolsonaro sem romper com o centro político. Mas, na prática, caminha cada vez mais para o lado de um grupo em rota de colisão com o Judiciário.
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