Girão diz que Senado virou ‘puxadinho’ do governo e do STF

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que a Casa Alta do Congresso Nacional, perdeu sua função revisora e se transformou em um “puxadinho” do governo Lula e do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele fez a declaração depois da visita dos ministros do STF, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, ao Congresso.

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Durante o evento, os ministros, acompanhados pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), participaram do lançamento de um livro assinado pelo ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Antes da solenidade, Alcolumbre recebeu Moraes e Dino, Motta e Pacheco na presidência da Casa Alta.

“O presidente Davi Alcolumbre está alinhadíssimo com o governo Lula e com o STF”, afirmou em entrevista a Oeste. É como se o Senado fosse uma extensão do governo. Não vejo absolutamente nenhum tipo de lampejo para que o Senado se dê o respeito.”

Girão vê “mistura” entre os Poderes

O parlamentar afirma perceber uma “mistura” de interesses. Para ele, é evidente que o Senado está se tornando uma sombra dos outros Poderes.

“É uma pena ver o Senado tão apequenado, transformado em um puxadinho. Como se fosse uma extensão do Executivo e do Judiciário, dominado pelo governo federal, deixando a função de casa revisora da República”, afirma.

Oposição

Girão também reclama da oposição na Casa Alta. Para ele, são poucos os parlamentares que se levantam contra a relação estreita entre Alcolumbre e o governo.

“A oposição deveria se posicionar, mas o que vimos na votação do Orçamento foi vergonhoso. Apenas seis parlamentares orientaram o voto contra, um único partido”, disse. “Isso é surreal e o brasileiro precisa entender. Estamos falando de emendas bilionárias, que ficam nas mãos dos partidos. O que isso representa? Compra de silêncio?”, questiona.

Anistia

Em recente entrevista a Oeste, o senador Magno Malta (PL-ES) também manifestou pessimismo quanto à postura de Alcolumbre. “Não vejo nenhum indício de que algo vá realmente mudar”, afirmou. “Pelo contrário, os motivos que me levaram a votar contra Alcolumbre e a me posicionar publicamente, tanto antes quanto no dia da votação, continuam firmes.”

O ministro Alexandre de Moraes e ministro Flávio Dino durante o lançamento de um livro do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no Senado - 1/4/2025 | Foto: Deborah Sena/Revista Oeste
O ministro Alexandre de Moraes e ministro Flávio Dino durante o lançamento de um livro do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no Senado – 1/4/2025 | Foto: Deborah Sena/Revista Oeste

As palavras de Malta resumem a preocupação de uma parte da oposição, especialmente desde que Alcolumbre afirmou que a anistia não é “um assunto dos brasileiros”. A defesa das prerrogativas do Congresso Nacional foi um dos pontos centrais nas negociações entre Malta e o PL para definir o apoio nas eleições à presidência do Senado.

A cobrança pela anistia aos presos do 8 de janeiro se deve ao apoio que o chefe do Senado recebeu da oposição, com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando disputou a cadeira de presidente.

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