O consumo de alimentos ultraprocessados teve aumento médio de 5,5% na última década, de acordo com estudo divulgado pela Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), feito pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP).
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O levantamento, realizado em 2021, também mostrou que cerca de 20% das calorias consumidas pelos brasileiros vêm de ultraprocessados. Os alimentos processados são aqueles que tiveram algum tipo de alteração, como adição de sal, açúcar, óleo ou vinagre, ou passaram por técnicas de cozimento, secagem, fermentação e defumação.
A diferença entre o alimento processado e o ultraprocessado está no grau de processamento e na adição de ingredientes artificiais.
Uma das consequências deste aumento no consumo destes alimentos tem o potencial de influenciar nos índices de depressão da população. A psiquiatra Dinah Akerman, formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) afirma que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados está associado a um risco 58% maior de desenvolver depressão persistente.
Outro estudo, do pesquisador André Werneck, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP revelou que aqueles que consumiram maior quantidade de alimentos ultraprocessados apresentaram um risco 42% maior de desenvolver sintomas depressivos moderados a severos, em comparação com os participantes que consumiram menos desses alimentos.
O estudo foi realizado ao longo de 18 meses. A depressão persistente é também denominada distimia. Já a depressão severa, é conhecida como transtorno depressivo maior. A diferença entre ambas está na duração e intensidade dos sintomas.
“Uma das possíveis explicações para o impacto dos produtos na saúde mental é a falta de nutrientes essenciais”, observou Akerman em post nas redes sociais. “O alimento ultraprocessado contém pouca fibra e pode causar disbiose [desequilíbrio na flora intestinal].”
Segundo ela, a disbiose pode desencadear um processo inflamatório que vai alterar a produção de cortisol. “O corpo entende a inflamação como uma ameaça e reage com estresse”, revela a psiquiatra. “O aumento do cortisol também pode afetar o humor de forma negativa.”
Akerman ressalta que mudar a rotina alimentar pode resultar em um impacto positivo na saúde mental. Alguns pesquisadores, acrescenta ela, acreditam que esses alimentos podem agir como substâncias viciantes.
Causas da depressão
Para descobrir as causas da depressão, segundo a psiquiatra, não se pode basear apenas em um fator.
“A psiquiatria, dentro da medicina, não é uma ciência exata, não há como ter certeza absoluta de qual é o evento desencadeante, principalmente porque o efeito desencadeante é multifatorial, tem a ver com o ambiente, com a genética de cada um”, afirma a Oeste.
Mas essa questão da alimentação deve ser levada em conta.
“Sabemos que a dieta processada induz a um quadro de depressão, então tentamos alterar isso e esperamos um mês, dois, para ver se a depressão melhora, fazendo a princípio uma conduta de observação ativa”, explica a especialista. “Se o paciente não melhorar, entramos com antidepressivo.”
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Em casos mais graves, pode haver uma combinação no tratamento.
“Se o caso for mais grave já entramos com antidepressivo, mudando também o hábito alimentar, sabemos que é muito difícil mudar um hábito alimentar, mas com o tempo podemos ir tirando aos poucos a medicação, observando se o paciente fica estável.”
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