As bolsas de valores internacionais registraram quedas acentuadas nesta quinta-feira, 3, depois do anúncio de tarifas de importação pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O mercado considerou as taxas mais agressivas do que o esperado.
Em Nova York, o Dow Jones caiu 3,98%, para 40.545,93 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 4,84%, ao fechar em 5.396,52 pontos. O Nasdaq despencou 5,97% e atingiu 16.550,61 pontos. O impacto foi sentido também nos mercados europeus e asiáticos, que fecharam em baixa significativa.
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Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a Casa Branca informou que a tarifa geral mínima entrará em vigor em 5 de abril, com tarifas individualizadas a partir de 9 de abril. O Brasil, ao lado de países como Alemanha, Arábia Saudita e Reino Unido, enfrentará uma tarifa mínima de 10% para vender aos EUA.
Em contrapartida, países como China e União Europeia sofrerão com tarifas de 34% e 20%, respectivamente. Japão, Coreia do Sul e Índia terão tarifas de 24%, 25% e 26%, enquanto a Suíça verá uma taxa de 31%.
Leandro Ormond, da Aware Investments, afirmou ao Estadão que a reação contida da Bolsa brasileira, que caiu 0,04% para 131.140,65 pontos, deve-se à tarifa moderada imposta ao Brasil.
“Essa diferenciação tarifária pode representar uma vantagem competitiva para o Brasil no comércio internacional, especialmente no segmento de commodities”, explicou Ormond.
Tarifas de Trump superaram as expectativas
Fernando Marx, do TC, destacou que as tarifas superaram expectativas, especialmente na Ásia, e previu um aumento nas incertezas econômicas globais. “O mercado americano deve sofrer no curto prazo, assim como o asiático”, disse. “A América Latina ficou relativamente mais protegida, mas dificilmente escapará de um movimento de sell-off global.”
Adam Hetts, da Janus Henderson, comentou que a abordagem de Trump “cheira à tática de negociação”, mas que há espaço para reduzir tarifas, apesar de um piso de 10% já estabelecido.
No mercado norte-americano, a Apple liderou as quedas das grandes empresas de tecnologia, com suas ações caindo 9,32%. Amazon e Tesla também sofreram perdas de 8,98% e 5,47%, respectivamente.
Leia também: “Trump, as tarifas e a América”, artigo de Ubiratan Jorge Iorio publicado na Edição 255 da Revista Oeste
Na Bolsa brasileira, as ações de petroleiras estiveram entre as mais afetadas com a medida de Trump, com Brava Energia recuou 7,18% e Petrobras registrou perdas de mais de 1% em suas ações ordinárias e preferenciais.
Preço do Petróleo também caiu
Os preços do petróleo também caíram depois do anúncio de Trump, com o WTI (petróleo bruto leve) para maio fechou a US$ 66,95 o barril, uma queda de 6,64%, e o Brent para junho caiu 6,42%, para US$ 70,14. A expectativa de que as medidas tarifárias desacelerem a economia global contribuiu para a queda na demanda por petróleo.
Na Europa, as bolsas fecharam no vermelho, com o FTSE 100 de Londres recuando 1,55% e o DAX de Frankfurt caindo 3,08%. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que a UE está preparando contramedidas. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, prometeu uma resposta calma a Trump.
Na Ásia, o Nikkei caiu 2,77% em Tóquio, enquanto o Hang Seng recuou 1,52% em Hong Kong. O índice Kospi da Coreia do Sul cedeu 0,76%. Na China, o índice Xangai Composto perdeu 0,24%, e o Shenzhen Composto recuou 1,10%.
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